Archive for junho \28\UTC 2006

em palavras…
junho 28, 2006

Parar, pensar, ligar, sorrir, mandar, trocar, sair, dirigir, ir…
chegar, abraçar, “olá!”…
descer, conversar, suspeitar, gargalhar, entrar, sentar, ligar, ligar, andar…
escolher, parar, abraçar, acariciar, conversar, beijar, “te adoro!”…
andar, olhar, comentar, rir, beijar, beijar, beijar…
falar, arrepender, esquecer…
voltar, beijar, despedir, “até logo”…
andar, ouvir, pensar, sufocar, engolir, engasgar, olhar, pensar, virar, andar, chegar…
sair, abrir, entrar, descer, fechar, estacionar, trancar, subir, trocar, comer, escovar, deitar, durmir, pensar:
“O QUE FAÇO DA MINHA VIDA?”
…fugir?

Fotografia…
junho 26, 2006

Uma cidade pequena, guardava em seu interior uma igreja que tinha em sua frente uma vista privilegiada. Bem ao topo, a igreja deixava entrar toda aquela beleza em suas entradas grandes e largas. Na porta, uma escada de oito degraus largos, e marcados pelo tempo, em tons de cinza, era visível o acabamento e a força do cimento cru. A direita, um menino escorava em uma das pilastras pintadas de branco que sustentavam o teto da entrada daquele centro de orações. O menino parecia ter seus 14 anos, olhos negros como Jaboticaba. Nunca tinha visto olhos tão escuros. O boné escondia seu cabelo preto e curto, e o frio deixava seca sua pele morena. Uma camisa listrada de preto e branco, não era o suficiente para ajudar no frio daquela manhã, então mantia os braços cruzados na tentativa de se aquecer. Uma calça jenas velha, em tom de azul desbotado, cobriam suas pernas, mas deixava em vista suas meias brancas. No pé, um All star vermelho, muito sujo e desamarrado.
O menino ficava no canto direito do visor, mas não percebia o que acontecia. É como se ele estivesse preocupado e destraído. Ao centro, as duas portas da igreja apareciam quase por completas, se não fosse uma delas aberta. A parede branca, com manchas amarelas de águas escorridas e marcadas pela idade, eram o que mais predominava ao fundo, junto com a escada e algumas pequenas esculturas grudadas na parede. Pareciam anjos dando boas vindas. Eu sentia falta de um pouco mais de janelas. A esquerda da foto, o vazio marcava o limite, e deixava o garoto em ênfase naquele quadro. Iluminação precária, pois o tempo nublado não deixava o sol iluminar totalmente a cena.
Acho que essa é uma foto que merece ser preto e branco…
Tudo parece harmonioso e singelo, entao… PIC!

…estou saindo para revelar a foto!

aquela noite…
junho 21, 2006

Ja era madrugada. Rua Rio Grande do Norte, 1168, bairro Savassi. Belo Horizonte. Após andar por um lugar repleto de pessoas modernas, cada um com seu estilo próprio. Esse foi nosso destino final. Fila na porta, mostre as identidades, assine a cortesia e abra a porta. O calor daquele lugar pequeno e com pouca ventilação ja da pra sentir logo nas escadas. Após descer inúmeros degraus, ja escutando aquela música que nos faziam mexer o esqueleto, enfim chegamos! Indo direto ao balcão, deixei por lá minha jaqueta marron estilo aviador. Agora o que me vestia era uma camisa preta sem estampa, com dois botons, um cinto de rebite que segurava meu jeans preto e um All Star sujo nos pés. Cerveja em mãos, fomos para um canto onde o som era mais alto e o lugar ainda vazio. Aos poucos, lá se vão passos “pra-lá-pra-cá”, em dancinhas que começam timidase acabam em gargalhadas. Ela, com sua bela blusa xadrez e um colete preto por cima enfeitado com botons brancos e sua saia preta, com um sapato retrô um tanto quanto foda, dançava ao lado dele, de camisa cinza sem estampas, jeans azul e também um All Star. Tudo parecia ser perfeito naquela noite se não fosse o cansaço e os pés doendo por ter feito longas caminhadas… havia voltado do “paraíso” a pé!
O momento que marca a noite, eu, sentando ao lado da irmã, ouvindo aquelas músicas preferidas… lado a lado… um sorriso no rosto e a nossa frente, as pessoas dançavam e se divertiam… sempre lado a lado…
Momentos únicos, com detalhes mínimos que podem marcar uma eterna amizade…

fases da vida…
junho 19, 2006

Nem todos os dias na vida os sentimentos são os mesmos. Mesmo que a noite anterior tivesse momentos engraçados, a manhã do dia seguinte pode ja começar errado. O café que não está tão quente, a manteiga que faltou no pão, o suco que ficou sem açúcar. É num dia assim que paramos diante de um espelho, cabelo despenteado, cara inchada e você diz: “não… hj eu não estou bem!”
Nada que você faz adianta… A roupa não fica boa, a coeca apertada, você só pensa em rapar o cabelo! Anda pelas ruas, o frio congela os dedos das mãos, e com certeza os dos pés também, se não fosse aquela meia branca de algodão que sua mãe te deu. Olham para você, e você se sente estranho, coloca um milhão de bobagens na cabeça, talvez nada daquilo faz sentido, mas acontece…
Talvez isso seja apenas sintomas de uma segunda, 19 de Junho pós feriado prolongado, mas mesmo assim só fica uma certeza:
“hoje não vai ser um dia normal…”

Avenida escura e calma…
junho 16, 2006

Que silêncio! Dentro daquele Corsa verde, quatro portas de vidros escuros, voltava pra casa. Acabei de deixar aqueles momentos felizes e inexplicáveis para trás. Já era tarde, onze horas da noite. Um vento frio invadia as poucas gretas onde o ar circulava dentro do carro. Naquela escuridão, somente eu e o cheiro de carinho e de saudade que havia ficado ali. O ponteiro do velocímetro marcava 64km/h e o reflexo no retrovisor interno iluminava meu rosto. Sim! por um momento aquela avenida não estava tão só. Cabelo despenteado, um allstar velho precionava o acelerador. Calça preta para proteger do frio, era o que combinava com a camisa preta e uma mais curta por cima. Era até aquela minha cinza que uma amiga me deu de presente, longe de qualquer data especial. Dois botons à esquerda acompletavam aquilo que as pessoas chamam de estilo. Uma mão no volante e outra na boca, com o cotovelo esquerdo apioado na porta, isso me fazia só pensar em alguns momentos atrás. Rua vazia, com alguns intervalos de escuridão entre um poste e outro. Parecia mesmo uma noite de feriado. O celular piscava no banco do passageiro! Seria mensagem? Não! alarme falso… Era apenas sinal de antena. Uma explosão de saudade turbilhavam minhas veias, o som desligado, eu conversava comigo mesmo, as vezes até em voz alta. La fora está tudo tão queto, o vidro embaçava conforme minha respiração. Um semáfaro mais a frente estava vermelho para mim. Abriu… Tenho que ir, logo logo chego em casa e o chuveiro me espera.
Uma boa noite!

SMS: “vamos encontrar, to com saudade…”
junho 15, 2006

Frio… pessoas andando de um lado para o outro naquele lugar grande e verde. Talvez pela hora, não tão verde. No meio, uma igreja. Andar… pela saúde ou pelo aquecimento do corpo? Difícil saber, a não ser pela diferença de roupas leves e passos largos. Um beijo, um abraço, um sonho… Não desejar aquele momento único onde uma frase bem elaborada seria o golpe de minerva para decidir o caminho a seguir na vida. Carinho? beijo? sorriso? tinha…. também dores… um buraco mau cicatrizado ou um acabado de ser feito? Um banco de madeiras sobrepostas na horizontal, preso por parafusos em carne viva, abraçava dois corpos pesados. A luz daquele poste era pouca, pois acabou sendo bloqueada pelas folhas largas daquela alta e bonita árvore, que tinha consigo a companhia de animais voadores. Seriam aves? talvez… entre as folhas também existiam estrelas, que brilhavam conforme a beleza daquela lua mais a direita. Olhares curiosos, pontos de interrogação constante…
“é isso mesmo? acho q sim né?…”
“é sim… tem que ser… é pra ser!”
Pegue minha jaqueta de aviador cor marron e cubra seus braços pelados, arrepiados pelo vento frio daquele cantinho mágico. Sua blusa não é blusa de se usar num momento como esse! Inverno? deixa pra lá… Romântico! Cubra-se! E quando eu nao mais aguentar, pego-a de volta e jogo sobre a estampa preta da minha camisa. Combinou com meu jeans e meu allstar, como diria ela: “retrô isso…”
Agora vejo seu conforto… No calor, no carinho, no momento…
Sim! eu aceito…

Tudo aconteceu em poucas horas…
junho 14, 2006

Dormindo…
De repente me transporto para um lugar de mágicas, onde tudo acontece como se as poucas horas fossem minha vida. La estávamos… O frio tentava ser aquecido pelo fraco sol da manhã, onde as belas folhas secas e amareladas eram juntadas pelo caseiro da casa d minha irmã. Senhor simpático, com o rosto marcado pela idade e com seu sorriso sempre estampado no rosto seguido de um “good morning”! Thomaz, filho de Julia, brincava na gangorra enquanto nossos rostos se tocam de lado para dar um BOM DIA no mais gostoso português. Uma bela casa, com muitas flores onde o seu perfume desputava com aquele gostoso cheiro de café. Logo em frente a minha, grande, de madeira rústica com um bosque atrás, onde minha amada gostava de passar a maior parte do tempo lendo seus livros de psicanálise. Aquele dia ia sendo tomando pela alegria de um fim de semana, quando, como um piscar de olhos, logo estávamos na sacada de um hotel. Thomas brincava na beira da lareira, escondendo daquele frio que a neve la fora trazia. Em suas mãos, um pequeno trenzinho que o “tio Lu” deu de presente. Ainda na parte de fora, sentados em cadeiras confortáveis e com uma bela vista para aquele parque enorme e a cada hora mais branco, Ju estava com um sapato que a deixava mais alta, uma meia preta e grossa, por baixo de uma de suas saias preferidas, preta com riscos de giz. A parte de cima era uma blusa de frio que a gente sentia seu conforto só de ver. Por baixo, um xadrez vermelho coberto por um belo xale… Lembrando da nossa infância, por um momento ela disse ter gostado da camisa listrada que eu usava por baixo de um sobretudo que quase tampava meu jeans escuro, e no pé, um Vans azul-escuro que por pouco ja não corria aquelas belas ruas sozinho. Chocolate quente para esquentar o corpo, e biscoitos de queijo era o tempero para aquela conversa que vinha trazer em nossas lembranças, dois grandes amigos que ainda no Brasil sonhavam com dias melhores… Eu designer, ela também, o mundo de fantasias e cores era sempre presente nos nossos olhares…
Por algumas horas eu descobri que tinha olfato, tato, paladar, audição, sentimento, carinho, amor, esperança… tinha tudo!
Mesmo que esse tudo não passasse de um sonho vivido na noite anterior…