Archive for abril \30\UTC 2008

olha aquele cara…
abril 30, 2008

Ontem depois de ler uma matéria MUITO fútil porém prazerosa, fui dormir pensando muito em como as pessoas realmente vêem as outras e achei tudo engraçado. (normal né Luciano?!) Eu, nesse meu bom humor de sempre e com esse sorriso largo, passando pelo momento que tenho na cabeça fixamente que nada mais vai me chatear (sei.. sei..), me sinto um cara feliz, quase completamente realizado, mas sem motivos nenhum pra abaixar a cabeça. Acordei com sede de mudanças, e hoje, após receber uma mensagem de bom dia que me fez rir horrores, resolvi ver o mundo com outros olhos. Quem sabe um pouco mais fútil, mais irônico, mas ah! Se falar com as pessoas é fofocar, nada melhor que guardar comentários pra gente mesmo e sair andando pela rua dando gargalhadas.
Saí de casa na intenção de reparar as pessoas e tentar interpretar cada olhar permutado, cada conjunto rosto-roupa-cabelo, seja bonito ou anómalo. Depois da experiência de 40 minutos no ônibus, no trânsito, nas calçadas, só agora eu fui perceber como é realmente cômico tudo isso. Impossível não achar graça de tais momentos. 
Passou uma mocinha com um short minúsculo e um casaco de frio novaiorquino e pensei: “porque será que  piriguetes sentem frio nos braços? A bunda quando mais pelada, melhor?”. Claro que sei a resposta, senão elas não chamariam piriguetes. 
O sinal está vermelho, e do outro lado da rua um rapaz forte, bonito, com uma camisa justa pra mostrar o peitoral bem malhado e uma calça larga que provavelmente escondiam as canelas desproporcionais ao resto, me olhava fixamente e eu, como de costume me constranger diante desse tipo de situação, olhei pra baixo e prestei atenção na música que ouvia (Nine Inch Nails). Ao atravessar a faixa, ele passa por mim e me repara como se dissesse: “Oi! sou gay e achei você lindo.”. E eu, segurando o riso descontrolado pensei: “Oi, também sou gay e você é até bonito. APENAS bonito. E obrigado por me deixar alguns 3 kg mais magro.”
huahuahauhauhauhauahuahaha.
Uma menina muito bonita passa ao meu lado, me pergunta as horas e eu penso: “Estranho alguém me perguntas as horas se não uso relógio no braço, mas.. Vamos levar em consideração que todos hoje em dia tem celular, inclusive ela. mas enfim: – São 8:36hs.”

Depois disso tudo que aconteceu em tão pouco tempo, acredito que terei um dia longo e prazeroso, já que saio do trabalho e vou para o lugar onde tem reunidas as pessoas mais diferente que já vi. Gente com roupas de velho (não retrô. de VELHO), gente bonita que se acha feia, gente feia que é realmente feia, gente simples que escondem uma beleza enorme, gente divertida, gente exótica, tuuuudo quanto é tipo. Achar bonito eu realmente descobri que é legal. Faz bem pros olhos, e ser olhado, as vezes até faz bem pro ego. Ao invés de brigar por olhar, achei mais legal aprender curtir esses momentos que deixam a vida mais divertida e, no limite do respeito, deixar isso fazer parte das nossas vidas.  

– Olha aquele cara… 
o_O
– Tipo….. oi?

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rascunho
abril 27, 2008

Queria eu poder achar a explicação de tudo na ponta do lápis, e ter a borracha como o objeto mais eficaz capaz de apagar aqueles erros que já não fazem mais parte do contexto. Marcas de lápis também somem com o dedo.
Queria eu sublinhar com caneta vermelha os momentos mais importantes escritos em azul, e nunca ter que usar o corretivo para esconder as ortografias que não foram bem escritas. Talvez assim, eu teria a certeza de que o recortar e colar seja mais persuasivo, uma vez que a tinta do corretivo apenas cobre aquilo que deveria ser apagado. Colar por cima não funciona com qualquer cola.
Se não for capaz de melhorar o rascunho, que recomece um novo texto.


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Vinte e Três de Abril
abril 23, 2008

O sol mal nasceu e meu celular ja gritava loucamente avisando que esse seria um dia estranho. Um banho quente me faz acordar e o espelho me fez lembrar que hoje eu teria uma entrevista às 13:30hs. Abro meu guarda roupa em busca da famosa roupinha de entrevista e cadê? Apenas camisas descoladas e algumas velhas, as novas, sem a menor chance de fazer o estilo profissional. Camisas xadrez, listradas, de banda, rasgada, calças apertadas, amassadas… Nada de sapato, nada de camisa social. Até que tinha uma, mas no meu corpo atual, no primeiro ventinho eu ia ao encontro do Padre. Se não fosse uma Empresa com cara de Empresa, podia ir do jeito que eu queria mas no fim, acabei indo assim mesmo. Estou em falta de roupas de gente grande. Isso é fato! 
Um café atrasado me faz pegar o ônibus de 10 minutos após meu horário normal e acredite: 10 minutos do meu bairro ao centro da cidade pode durar uma eternidade. Na viagem, música alta e cabeça longe, confusa, estranha, como quem não entendeu o episódio da noite anterior e só pensa em uma coisa. Aquela, de sempre, do jeito que a vida te ensinou e que de vez em quando me esqueço: Falar menos e ouvir mais. Eis a grande conquista de quem se preocupa com o mundo que vive. E mesmo que querendo ajudar, nem sempre sua ajuda é bem entendida vinda. 
No meu trabalho (atrasado pra variar) não sei porque mas havia um clima estranho, aliás, meu dia parece estranho. Caixa de emails, respostas, pensamentos, e telefone. Esse sim me idolatra. Se eu estou perto, toca o tempo inteiro. 
Uma conversa no Gtalk me faz pensar, aliás, me faz deixar de pensar em tanta coisa e me faz rir. 
É isso!
Meu dia estava estranho porque ainda não tinha acordado meu largo sorriso pro dia. 
Até que os chefes me dão bom dia e lá vem bomba. O pequeno e leve sermão da manhã, que não entendo porque, eu não tinha culpa alguma. Mas enfim, vai ver eu tinha né? 

* pausa para um pensamento: engraçado como na vida tem coisas que a gente acostuma, tem coisas que não nos acostumamos nunca. Tem coisas que podemos evitar, para outras, a tentativa de ajudar gera um holocáusto terrível. Bizarro pensar que agora você se acha um cara especial e minutos depois um simples gesto pode te sacudir pra vida e você olhar pro horizonte na janela e sentir que realmente você não é nada de mais. Por falar em sacudir, e São Paulo heim… 

Mas de volta a rotina, guardei a manhã pra adiantar todo meu trabalho e exibir minha roupinha bonitinha pra uma psicóloga doida pra saber meus interesses intelectuais, quando percebo que o relógio acabou girando contra minha vontade e lá vai Luciano. Correndo em meio ao caótico trânsito de Belo Horizonte pra chegar no ponto de ônibus e ficar 20 minutos esperando o Mercedez. 

Nada de ônibus, nada de ligação, afinal minha irmã ficou de me ligar naquele momento, e lá estava eu. Com um humor vago, um olhar distante e uma vontade incontrolável de ter em mãos um sorvete gigante. O relógio então indica: “Vá embora porque ainda da tempo de você se explicar ao invés de chegar 1 hora atrasado na Empresa.” – Que seja feita sua vontade.
Perdi a entrevista de emprego, perdi o humor, perdi a cabeça, aliás hoje estou completamente perdido, mas ao menos não perdi a vontade de sair da frente desse computador e usufruir da sombra de uma dessas árvores que enfeitam essa faculdade e encontrar algum amigo afim de conversar. E por favor, sem cigarros!

padre? padreeeee…?
abril 22, 2008

Abro um parênteses nas narrativas pessoais, e levando em conta o estilo de vida adquirido com TDUM?, preciso dividir a mais engraçada bizarra notícia lida neste pós feriado:

Até ai tudo “bem”. Seria mais uma dessas notícias diárias de sequestro, desaparecidos, se não fosse o bigode da chamada com:

Óh Deus… Óh Padre… Perdoe-me a ironia, mas oi? Balões.. Vento.. Falta de Controle…
De acordo com a matéria do G1 , Adelir de Carli escolheu um dia não tão bonito para colorir o espaço aéreo de Santa Catarina. Agora vamos nós, pessoas de mente fértil e felizes com a vida, sentar no belo pôr-do-sol em uma dessas belas praias do sul, em frente ao mar e surge a seguinte discurssão:
– Olha! Aquilo é um pássaro? Um avião? Um OVNI?
– Um Padre.
– Oi?

Bora rezar missa BEM ao lado de Deus? 
Ah não! De boa que me recuso a conter os risos com uma notícia dessa. Onde está a falha da decolagem? No mal tempo? No piloto ser um Padre de 41 anos? Na pessoa esquecer que não se controla balões diante de uma ventania e que uma hora os balões vão estourar? 
Pode ser na pureza humana em pensar: “Esse dia nublado merece cores. Farei o meu arco-íris.” 
Aham! Certíssimo…

Me dói um pouco a consciência em rir de uma coisa assim, mas não dá cara.
Agora sabe-se lá se Adelir vai ser encontrado, com vida ou não – 1º Padre a pisar na Lua – ou se será lembrado ao lado dos anjos, de Deus ou de Iemanjá.

Perdoe-me! Mas qual era a dele heim?
 

escândalo de mulher
abril 18, 2008

A Borges divulga vagas para seleção de degustadoras para a nova linha de azeites. O perfil deve ser meninas bonitas, educadas, bem aparentáveis e no mínimo comunicativas. Dos perfis com bons curriculos, as entrevistas pessoais revelam, no meio de apenas 14 meninas, uma gótica, uma caipira, uma estrangeira – com aquele português de dublagem em novela mexicana – e entre várias outras, na qual uma delas merece um destaque singular:

2º Feira, 9:30hs em um desses meses passados:

– Oieâm! Bom dchiaam! Ana Paula Está? – Pergunta aquela discretíssima mocinha de cabelos longos cacheados, sorriso de 1/3 em relação ao tamanho do rosto, uma pequena dúzia de pulseiras no braço e sim! Uma calcinha denonimada pela prórpia de “sainha básica”. Bota até os joelhos com salto 23 era o mínimo perto de todo aquele espetáculo.
– Ela já deve está chegando. Queria aguardar por favor?! – Responde aquele pobre estagiário.
– Posso sentar? Me sirva uma água por favor -aquela sim sabe a técnica do bater cabelo e fazer pose de “oi? eu puta? não.. não..” – se tiver gelada, melhor ainda gato! (Alôw?! Estou a procura de emprego? gato aonde? heim?)

Meu chefe faz uma cara de quem jamais havia presenciado cena parecida e vai para a sala ao lado, com uma expressão de espanto em pouquíssimas palavras.
– Então gatoâ. Aqui é legal heim? Super ventilado, livros modéarnos, que luxo. (Detalhe: o livro mais atual daquele lugar foi comprado em 2003)
– Pois é né? Aqui é bem tranquilo sim.
– Qual seu nome?
– Lucas.
– Prazêar Lucas. Kátia. (Nome heróico) Você faz o quêan?
Uma risada MUITO contida faz soltar as palavras…
– Sou Designer!
– Nuóah! Que luxo. Maneiro heim gato?
– Legal d+ mesmo.

De repente, o chefe em tom de alívio o diálogo:
– A Ana Paula chegou e está aguardando todas vocês na sala ao lado.
– Ai brigada. Tchau Lucas, prazer viu? Arrasa.
– Ah sim. Boa sorte.

Minutos de silêncio.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..
– Cara, o que foi aquilo?
– Sei lá ou, que pessoa louca.
– Gente – intervém o chefe – essa pessoa jamais vai trabalhar para a Borges. Jamais!
– Ah Bizu, qual o problema? Ela é legal, comunicativa, alegre, muito alegre.
– Não gente! vocês não estão entendendo. Essa menina é uma piranha… PI – RA – NHA!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….

guerra fotográfica
abril 16, 2008

A fotografia dos anos 2000 fez da imagem um papel sem sentido. Nos tornamos cegos e fazemos da máquina moderna uma arma, onde o obturador resiste à luz e cada clic se torna um tiro no escuro. A foto enquanto momento impresso, perdeu suas formas e cores e um novo conceito de paredes descascadas chamadas de arte digital, mortifica o sorriso daquele registro batizado de saudade. Congelam-se os momentos porém perde-se a essência. É o poder da tecnologia a favor daqueles que chamam uma mancha desfocada de fotografia.

gotas em forma de meteoro
abril 14, 2008

No relógio as horas marcavam “fome desesperada”. Sentei com minha montanha de salada no restaurante mais quente dessa cidade e em dez minutos, a vista da janela me proporciona a maior tempestade dos últimos dias.
Em questão de minutos, o belo sol que fazia da cidade um inferno espetáculo em cores, perdeu seu brilho para a maior escuridão celestial de todos os tempos. Para os caçadores de coelhos em nuvens, SIM! Ali estava sutilmente desenhada a fúria de São Pedro. As gotas em forma de cachoeira pareciam cair no chão como tijolos. Com tantos gritos e cabelos esvoaçantes – bye bye chapinhas, escovas e a beleza do final de semana – a chuva parecia realmente doer. Pula aqui, corre ali, as pessoas esqueceram que segundo pesquisa, correr na chuva molha mais que andar.

Porque? 
Faz pergunta difícil não amigão..
Buzinas, sombrinhas quebradas, algumas voando, e naquela avenida em frente, em algum momento eu pensei: “Caralho! abriram as comportas!”. Loucura Loucura Loucura…
Eu não sabia se ria ou se desesperava porque, enquanto uma criancinha chorava desesperadamente no colo da mãe – vai saber se a pobrezinha tinha medo de chuva ou se era medo de seus belos cachinhos darem lugar para uma cabecinha em forma de cogumelo – por dentro me surge um desespero:

“Meu vídeo game está de frente praquela gigantesca porta aberta. E essa chuva! JÓIA! Lá se vai a salvação do tédio que ronda os domingos meu e do meu gatão. Nãaaaaaaaao…”

Até que de repende… 

Chuva? Oi?
Que diabos esse sol ta fazendo aqui? Alôw?

Em tão pouco tempo, o calorzinho vulcânico dava Boa Tarde pra Segunda Feira, e no caminho de volta para o trabalho, eu me recreava com meninas torcendo as roupas, mulheres secando cabelos, crianças pulando gigantescas poças de água e todo mundo daquele lugar procurando uma marquise para se esconder de cada jato d’agua vindo das árvores. E eu aqui, rezando para os assopros molhados de “Pedrinho” não ter alcançado meu brinquedo.

Eeeeh gente! O santo tava nervoso. 

eles só querem a felicidade
abril 8, 2008

No Brasil de hoje só se fala em casamento homossexual.
Se as pessoas ainda questionam as tentativas de felicidades heterossexuais, se nos debatemos sobre a existência do amor eterno ou de uma simples união feliz entre duas pessoas, o que se pode esperar de dados estatísticos quando o assunto é gay? Talvez os meios de comunicação em massa apontam a condição sexual como perversão, e são incapazes de distinguir a existência de alguma esperança no amor eterno, uma vez que qualquer pessoa capaz de se apaixonar, é capaz de querer uma vida a dois.
Os resultados das pesquisas poderiam ficar mais claros para os leitores e interessados no assunto, e poderiam gerar uma discurssão mais consistente, se as entrevistas começassem com alguma pergunta do tipo:
“Você é contra ou a favor do casamento hoje em dia?”

Acho que a partir daí, a gente seria capaz de entender melhor a cabeça das pessoas.
No final, pra mim é um bando de gente enrustida que acredita na incapacidade da felicidade gay, levando a crer que a sociedade ainda impõe algum tabú quanto a isso. 

Se joga Bee! O mundo é bixa…

descortesia
abril 4, 2008

Minhas manhãs sonolentas rumo ao meu canto de criação, começam com um café da manhã pouco farto, a pressa contra a velocidade do maior ponteiro do relógio e um ônibus lento e cheio. Me pergunto o que seria de mim nesses momentos sem meu querido óculos escuro, meu mp3 player e algumas das vezes, uma prazerosa leitura para me ajudar jogar ao vento palavras corretas e bem escritas sobre meus pensamentos sucintos. Hoje a quebra da rotina me causou aversão a 4 garotas feias e chatas que não sabiam “tietar” num tom mais baixo e menos irritante. Aliás, pagar de piriguete às 7 da manhã?… alôw?… oi?…
Eu, ao lado de Arthur Dent e Ford Prefect (meus heróis) tentando esconder dos Vogons naquela sarcástica história interplanetária, e ao meu lado minha cinestesia foi rompida com um maldito celular tocando hip hop num volume capaz de fazer qualquer pessoa daquele grande Mercedez perder seu humor. 
Agora, goze comigo do que meus ouvidos não foram capazes de subtrair:

– Nó ow! Cicrano passou lá na rua lá ontem a noite com o som do Tubarão¹ no talo mano… Doidimais!
(Sim! O Pleonasmo é característa das queridas mocinhas.)

– Nó véi! Se eu tivesse um Stilo daquele ali – então todas voltam os olhares pra uma agência de carros que passava ao lado – eu ia colocá um som dudoido e tacá ele no chão mano. E num ia escurecer o vidro não. Daquele jeito ali tá de boa.
– Poh! Mas ta muito claro.
– Uai. Tem que deixar claro pra aparecer né mano?
(Um coro de risadas perturbadoras tomam conta do veículo)

E lá estava eu! Atrasado, irritado, doido pra ler o livro mas não era mais capaz de filtrar uma vírgula sequer. A saída foi recorrer ao meu ALTÍSSIMO e viciante som da vez: The Kills e continuar acreditanto que aquela bagunça toda não atrapalharia o começo desse meu pequeno/grande dia.

Ford e Arthur indicam: O Guia do Mochileiro das Galáxias

¹ acredite! apelido carinho para o último modelo do Monza – Chevrolet

apenas
abril 3, 2008

cansado
triste
com vergonha

nada mais!